SALVADOR perde a 'galinha dos ovos' de ouro e tem

1. O Carnaval de Salvador perdeu a hegemonia de ser o úncio das capitais que vinha sendo feito exclusivamente nas ruas desde a década de 1980 quando a explosão da Axé Música sepultou os bailes nos clubes. Salvador nunca teve um grande baile extra-clubes, tipo o Copa, o Bal Masqué de Recife, o Gala Gay do Rio e também foi modificando o seu Carnaval de Rua, a partir do começo dos anos 1990, com a camatorização da Daniela Mercury, na Barra, hoje, ainda em expansão e rearrumação.

2. O Momo na capital baiana sempre foi caro, quer para brincar num bloco de rua, qualquer deles, até os afros e afoxés; quer para frequentar um camarote. Os camarotes prosperaram porque a violência crescente na festa fez com que a classe média alta e outros segmentos se isolasse. Aquele Carnaval participativo, aberto, da Praça Castro Alve,do Beco Maria Paz e do baixo Gomes, no Clube de Engenharia acabou há muito tempo.

3. O Carnaval de Salvador exportou esse modelo camarotizado da Axé para outros estados e os organizadores desses espaços e outros, fazem ainda os carnavais fora de época, mas, os carnavais de rua inudaram Rio, SP e Belo Horizonte, os principais emissores de turistas para a Bahia.

4. Ou seja, não precisa mais vir a Bahia para brincar o Carnaval de rua. No Rio, no último final de semana, 40 blocos desfilaram. Em SP, outros tantos. E, em BH, mais tantos outros. Perdemos a nossa 'galinha dos ovos de ouro', como diria João Jorge, do Olodum, porque não soubemos renovar. Ou se estamos renovando com os trios pipocas, Salvador ainda é o único lugar no Brasil (e possível no mundo) que pôe mais de 20 mil homens da Policia nas ruas para controlar a violência.

5. Esses 40 blocos que falamos do Rio, no último final de semana, não tinha Policia dando suporte, nem cordas, nem seguranças em execesso. Em Salvador, até um bloco como Filhos de Gandhy, só de homens, mais de 3.000 macho-mans, sai com cordas e seguranças.

6. O que aconteceu de novo foi o Circuito Batatinha, instituido no Pelourinho, salvo engano no inicio dos anos 1990, um espaço mais aconchegante, mais democrático, menos violento. E, últimamente, com a introdução do Furdunço e alguns blocos sem cordas, além dos trios pipocas.

7. O certo é que, se tínhamos a 'galinha dos ovos de ouro' para ser o melhor Carnaval de rua do planeta, já não temos mais. E, algumas inovações como armar um palco na Barra, é um retrocesso. Daqui a anos teremos outro palco em Ondina, mais um na Castro Alves, e aí viraremos o Marco Zero, do Recife.

8. Não dá para reinventar o Carnaval, debater após cada Momo, o que não acontece nada, porque o modelo de Salvador está mercantilizado, empresarial, dos grandes aos pequenos. E no mais é um shozão com repeteco a cada dia e as estrelas e astros da Axé mandando seus recados e sons.

9. Ninguém sabe onde isso vai parar, ou quando vai surgir um novo marco como aconteceu em 1950, com a chegada do trio elétrico. O samba vai ganhar mais espaço no modelo trio-pagode-samba? É uma hipótese. Os minitrios irão aos poucos substituir os tiranossauros? Há dúvidas. Um Carnaval Arfrodómo como queria Brown algum dia vingará? Duvida-se.

10. Em 2017, salvo pequenas mudanças, o modelo predominante será o de 2016, com o circuito Dodô (Barra/Ondina) superando o Osmar (Campo Grande) e o pelô mantendo-se vivo.
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