COMO era SALVADOR no tempo de JERRY ADRIANI e do B

1. Quase todos cidadãos brasileiros urbanos, especialmente os residentes em capitais, curtiram o som da Jovem Guarda, movimento musicial surgido na década de 1960, uma mistura de música no estilo rock tupiniquim, moda e comportamento. Foi um 'boom' extraordinário e que mexeu com a cabeça da juventude, não tanto em rebeldida como nos Estados Unidos e na Inglaterra, países matrizes do rock n'roll que influcnciaram o mundo ocidental, mas, deu uma agitada sensacional.

2. Hoje, as pessoas que estão na faixa dos 70 anos ou um pouco mais (meu caso), sentiram bastante a morte, de certa forma até prematura, de Jerry Adriani, 70 anos, um dos ídolos daquela época. O câncer o matou, desde que foi internado na última vez e passou uma mensagem aos seus fãs, em menos de 30 dias.

3. Jerry Adriani era mais bonito da trupe. E quase todos nós, que curtíamos o rock nacional, o twist de Cely Campelo e outros, queriamos ser Jerry Adriani, Roberto Carlos e Eramos Carlos. Mais o galã no estilo ítalo-paulistano Jerry Adriano com seus requebros e voz emposta que enloquecia as 'minas', era o nosso espelho.

4. Salvador, naquela época, era uma cidade provinciana, com algo em torno de 500 mil habitantes e ainda com bondes e os modernos troleibus (elétricos), chegando aos 700 mil habitantes na boca dos anos 1970, cuja vida social se limitava aos clubes da Barra e do centro - Campo Grande e Democratas - e ao Balbininho erguido no governo Antonio Balbino (1955/1959) local onde se realizavam os grandes shows da Jovem Guarda. Balbino também começou a construção do Teatro Castro Alves.

5. Quando a Jovem Guarda pipocou nos anos 1965/66 a partir de um programa da TV Record de SP tendo Roberto Carlos à frente, a TV Itapoan tinha apenas 5 anos de existência, mas, a música, a moda, o estilo desse pessoal, especialmente as roupas de RC para os homens e as de Vanderléia para as mulheres, eram copiadas com as adaptações.

6. Lembro de um show de RC e sua turma no Balbininho em que a moda era uma calça preta fechada de um lado e do outro lado preta com quadrinhos brancos. Tive que me virar nos 30 para comprar uma dessas calças dupla face para também impressionar as 'minas'.

7. Morei alguns anos no bairro de Roma, berço de Raulzito, de Waldir Serão e seus programas no cine Roma, isso quando cheguei de Serrinha nos anos 1963 e, claro, tive que atualizar meu guarda-roupa adquirindo blusas e roupas mais folgadas e a botinha de roqueiro para ir ao Roma.

8. Foi um momento muito interessante, nas festas do Cirex, nas festa do Cabana da Barra, toda uma cultura roqueira que se iniciava no Brasil e que começamos também a ter acesso aos Baetles, Chuky Berry, Elvis Presley e outros.

9. Os cantores tradicionais de boleros, sambas canções e valsas foram por nós isolados e ficaram restritos aos mais velhos que curtiam o som da época de ouro do rádio, anos 1940/1950, com Emilinha Borba, Cauby peixoto, Nelson Gonçalves, Angela Maria e outros.

10. A TV e a Jovem Guarda mexeram de vez na música brasileira e trouxe consigo o ingrediente novo da rebeldia, da forma mais livre e solta de se vestir, de mudanças radicais nos cortes dos cabelos e assim por diante. Tudo isso adcionado a uma época de transformações internacionais com o papa João XXIII modernizado a igreja, os jovens se rebelando na França e a ditadura militar no Brasil matando e esfolando.

11. A Jovem Guarda tornou-se o primeiro movimento musical no país que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock da época, catalisado especialmente pelos Beatles.
Muita gente passou inclusive a aprender a tocar violão/baixo e a falar inglês.

12. Hoje, traço essas linhas para lembrar que Jerry Adriani era um dos ídolos mais queridos desse momento. (TF

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